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Marcio Guedes
Engenheiro Civil · CPA · C-Pro R · C-Pro I — ANBIMA

Simulador: quanto sua previdência vai render

Seu saldo projetado no resgate, comparado com fundo de banco e Tesouro. Sem cadastro.

R$ 600 mil
1,50% ao ano
20 anos
Tipo de plano e declaração do IR
Tabela de imposto
Seu saldo projetado no resgate R$ 2,82 mi Com a taxa de 1,50%, em 20 anos, partindo de R$ 600 mil.
69/100

Seu plano está no caminho — e há 1 ajuste que pode aumentar esse número.

Tesouro: R$ 3,40 miFundo de banco: R$ 2,61 miSua previdência, conforme a taxa
−R$ 578 milsua taxa 1,50%Tesouro 0,46%fundo 1,93%

Quanto sobra em 20 anos conforme a taxa de administração. Cada cruzamento é um ponto de equilíbrio: à direita do primeiro, a previdência perde para o Tesouro; à direita do segundo, perde também para um fundo comum de banco com taxa de 1%.

  • Ganha de um fundo comum de banco

    Abaixo de 1,93%, a vantagem tributária ainda paga a taxa que você paga.

    +R$ 212 mil
  • Perde para o Tesouro Direto

    Acima de 0,46%, a alternativa mais barata que existe entrega mais no seu prazo.

    −R$ 578 mil
  • VGBL: imposto só sobre o rendimento

    Sem o risco de pagar IR sobre o saldo inteiro no resgate.

  • Tabela regressiva no prazo certo

    Com 10 anos ou mais, o IR cai para 10%.

Se o objetivo inclui deixar herança, a conta muda: a previdência não entra em inventário nem paga ITCMD no repasse aos beneficiários.

Quanto seu saldo cresceria numa taxa menor

A portabilidade permite trocar de plano sem resgatar e sem pagar imposto. Eu comparo a sua taxa com o que o mercado cobra hoje e mando a conta pronta: quanto sobraria a mais no resgate, com as premissas abertas.

Seu patrimônio investido

Sua diferença estimada: —. O detalhamento vai pelo seu WhatsApp.

Bônus

Sua carteira analisada por um especialista certificado pela ANBIMA.

Sem custo e sem compromisso. Para sair, basta responder pedindo.

Marcio Guedes

Marcio Guedes, engenheiro civil. CPA, C-Pro R e C-Pro I pela ANBIMA. Análise independente, sem venda de produto.

De onde vêm esses números
  • Rentabilidade bruta de 10% ao ano, igual na previdência e no Tesouro, para isolar o efeito de custo e imposto. As mesmas premissas das tabelas abaixo.
  • Tesouro com custódia de 0,20% ao ano e IR de 15% acima de dois anos.
  • Fundo de banco com taxa de administração de 1% ao ano e come-cotas de 15% em maio e novembro, o fundo comum que o gerente oferece como alternativa.
  • Previdência com a taxa de administração descontada da rentabilidade. Na regressiva, vale a alíquota da data do resgate contada a partir de hoje; aportes antigos podem já estar numa alíquota menor.
  • PGBL com declaração simplificada: a estimativa trata o saldo atual como base do imposto a mais. Se parte do saldo for rendimento, o valor real é menor, por isso aparece como teto.
  • Tabela progressiva: diferença entre 27,5% e 10% sobre o rendimento projetado. É o teto, não a certeza; depende da renda no resgate.
  • Para o dinheiro que já está no plano, trocar pelo Tesouro exige resgatar e pagar IR agora. A portabilidade para um plano mais barato não tem esse custo.
  • O gráfico e as duas comparações de taxa usam a tabela regressiva e a mesma rentabilidade bruta para qualquer taxa; o efeito da tabela progressiva aparece como item à parte.
  • A nota soma até 60 pontos pela taxa, 20 pelo tipo de plano e 20 pela tabela. Na taxa: 60 abaixo do equilíbrio com o Tesouro; de 50 a 20 entre o Tesouro e o fundo de banco; abaixo de 20 quando perde até para o fundo, chegando a zero quando a perda passa de 15% do valor final.
  • Regras vigentes em 1º de julho de 2026. Material educativo; não é recomendação de investimento.

A análise completa

Previdência privada que rende pouco: vale a pena manter?

A resposta para quem tem previdência privada rendendo abaixo do CDI depende de uma conta que quase ninguém faz — e de um número específico: 1,93% ao ano. Acima dele, a vantagem da previdência desaparece. Abaixo, ela costuma compensar mesmo rendendo menos que o CDI.

A comparação que quase todo mundo faz está incompleta

A conta habitual é simples: olha-se o rendimento do plano no ano, compara-se com o CDI do mesmo período, e a diferença aparece. Boa parte das previdências perde nessa comparação — e a conclusão de que não vale a pena parece óbvia.

Vale para qualquer plano — Brasilprev, Itaú, Bradesco, Caixa, Santander ou qualquer outro. O problema é que essa comparação mede uma coisa só: rentabilidade bruta em janela curta. E previdência não foi desenhada para ganhar nessa métrica.

Um PGBL ou VGBL foi desenhado para três outras funções. A pergunta útil não é se ele rende menos que o CDI — é se essas três funções ainda fazem sentido no seu caso, e se o que está sendo cobrado por elas é razoável.

As três funções que a previdência de fato cumpre

1. Não paga imposto durante o caminho

Vale a comparação com um COE, que também não tem come-cotas mas cobra de outra forma. Fundos de investimento comuns têm come-cotas: duas vezes por ano, em maio e novembro, o imposto é antecipado. Não chega boleto — o que diminui é a quantidade de cotas que você tem.

Planos de previdência privada são isentos de come-cotas. O imposto só incide no resgate. Na prática, o dinheiro que sairia para o Fisco continua rendendo durante todo o período.

Esse é o efeito mais subestimado, e ele é grande:

R$ 100 mil · 20 anos · 10% ao ano bruto · taxa de 1%
ProdutoLíquido ao final
Fundo com come-cotasR$ 434.796
Previdência (VGBL, regressiva 10%)R$ 514.397
DiferençaR$ 79.601

Mesma rentabilidade bruta, mesma taxa de administração. A diferença de 17,8% vem apenas de quando o imposto é cobrado — e de a alíquota final ser 10% em vez de 15%.

Repare no que isso significa: uma previdência pode render menos que o fundo ao longo do caminho e ainda assim entregar mais no fim. A comparação de rentabilidade bruta não captura isso.

Antes de continuar

A sua taxa está acima ou abaixo de 1,93%?

A calculadora no topo desta página mostra de que lado o seu plano está, no seu prazo.

Calcular o meu caso

Sem cadastro.

2. Não passa por inventário

Em geral, os planos de previdência privada não entram no inventário. O valor é pago diretamente aos beneficiários indicados, sem esperar a partilha e sem os custos do processo.

E não há ITCMD nesse repasse: o STF declarou a cobrança inconstitucional (Tema 1.214), e a Lei Complementar nº 227/2026 manteve a regra no país inteiro, salvo uso abusivo do plano.

Para quem tem herdeiros e patrimônio relevante, essa função sozinha pode justificar o plano. Para quem não tem, ela vale zero.

3. Impede que você mexa no dinheiro

A carência e a tabela regressiva da previdência privada criam atrito deliberado para o resgate. Isso é limitação — e é também a única função que funciona contra o próprio comportamento de quem investe.

Dinheiro de aposentadoria que fica acessível tende a ser usado antes da aposentadoria. Não é uma questão de disciplina: é o que a estrutura permite. Um plano que dificulta a saída resolve isso por construção.

Onde a conta vira: o número que decide

Todas as três vantagens da previdência privada têm um preço, e ele aparece como taxa de administração — cobrada sobre o total aplicado, não sobre o ganho, inclusive nos anos de resultado negativo.

A pergunta objetiva é: a partir de qual taxa o custo consome a vantagem tributária inteira?

1,93%

É a taxa de administração em que a previdência empata com um fundo comum de taxa 1%, apesar de toda a vantagem tributária. Acima disso, você está pagando pela estrutura e recebendo menos que teria em outro lugar.

Mesma simulação, variando só a taxa de administração
Taxa de adm.Líquido em 20 anosvs. fundo
1,0%R$ 514.397+R$ 79.601
1,5%R$ 470.084+R$ 35.288
1,93%—empate
2,0%R$ 429.486−R$ 5.310
2,5%R$ 392.307−R$ 42.489
3,0%R$ 358.272−R$ 76.524

Premissa: 10% ao ano bruto, 20 anos, VGBL na tabela regressiva com alíquota final de 10%, comparado a fundo com come-cotas e taxa de 1%. Rentabilidade diferente muda os valores, não a ordem de grandeza.

Esse é o teste. Não é "minha previdência rende pouco". É: qual é a taxa de administração dela, e ela está acima ou abaixo desse patamar?

Uma previdência com taxa de 1% rendendo abaixo do CDI pode estar entregando mais que um fundo com taxa de 1% rendendo acima dele. Uma com taxa de 3% dificilmente entrega.

E vale dimensionar o que a taxa faz sozinha, sem nenhum imposto na conta. Sobre R$ 100 mil em 20 anos a 10% ao ano:

  • Taxa de 1% — acumula R$ 560.441. Custo acumulado: R$ 112.309, ou 17% do que teria sem taxa.
  • Taxa de 2% — acumula R$ 466.096. Custo: R$ 206.654, ou 31%.
  • Taxa de 3% — acumula R$ 386.968. Custo: R$ 285.782, ou 42%.

Três por cento ao ano não parece muito. Em vinte anos, consome quase metade do que seria acumulado. O mecanismo completo está na análise sobre taxa de administração.

A regra que mudou em 2024 e quase ninguém aplicou

Durante anos, a escolha entre tabela progressiva e regressiva era feita na contratação — e errar ali custava caro, porque a mudança de regressiva para progressiva era irreversível.

A Lei 14.803, de 2024, alterou isso. A opção pelo regime de tributação passou a poder ser exercida até o momento do primeiro resgate ou da obtenção do benefício.

Na prática: quem tem plano antigo e nunca resgatou pode escolher o regime com a informação que tem hoje, e não com a que tinha na assinatura. É uma decisão que ficou disponível e continua sem ser tomada por muita gente.

A faixa de isenção nova muda o cálculo do regime

A ampliação da faixa de isenção do imposto de renda para rendimentos de até R$ 5.000 mensais tem um efeito direto sobre a estratégia de resgate.

Na tabela regressiva, a alíquota mínima é 10% — sempre, independentemente do valor. Na progressiva, o resgate entra como rendimento tributável comum e segue as faixas.

Consequência: quem planeja resgatar valores mensais modestos, sem outras rendas tributáveis relevantes, pode pagar zero de imposto no regime progressivo — enquanto pagaria 10% no regressivo.

Isso inverte a recomendação padrão de que "regressiva é sempre melhor no longo prazo". Depende do valor do resgate e da renda do titular no momento em que ele acontece.

Quanto custa sair agora

Se a conclusão for sair, o custo depende de quanto tempo o dinheiro está aplicado. Na tabela regressiva:

Alíquota por tempo de aplicação · sobre R$ 100 mil de ganho
PrazoAlíquotaImposto
Até 2 anos35%R$ 35.000
De 2 a 4 anos30%R$ 30.000
De 4 a 6 anos25%R$ 25.000
De 6 a 8 anos20%R$ 20.000
De 8 a 10 anos15%R$ 15.000
Acima de 10 anos10%R$ 10.000

No PGBL a alíquota incide sobre o valor total resgatado — aportes e rendimentos. No VGBL, apenas sobre os rendimentos. Essa diferença muda bastante o número final.

Cada degrau vale cinco pontos percentuais. Quem está a seis meses de mudar de faixa está a seis meses de reduzir o imposto em 5% do ganho — um valor certo, sem risco, que vale comparar com o que o plano renderia nesse mesmo período antes de decidir sair.

E há um caminho que não interrompe essa contagem: a portabilidade. Trocar de plano mantendo o prazo já acumulado é possível, e não implica resgate nem tributação.

Como conferir isso no seu próprio documento

Nada acima depende de opinião. Tudo está escrito nos documentos que já estão no seu nome:

  • Taxa de administração — está no regulamento do plano e no extrato. É o número que decide se você está acima ou abaixo de 1,93%.
  • Taxa de carregamento — cobrada sobre cada aporte, na entrada ou na saída. Muitos planos antigos têm; muitos planos novos zeraram. Se existir, soma ao custo.
  • Regime tributário — progressivo ou regressivo. Consta na proposta de adesão e no extrato.
  • Data do primeiro aporte — define em que degrau da tabela regressiva você está hoje.
  • Tipo do plano — PGBL ou VGBL. Muda sobre o que o imposto incide.
  • Beneficiários indicados — se a função sucessória importa, ela só funciona se estiverem corretos e atualizados.

Com esses seis dados em mãos, a conta fecha sozinha.

As três saídas possíveis

Depois de olhar os números, existem três desfechos — e nenhum deles é automaticamente o certo.

Manter

Faz sentido se a taxa está abaixo de 1,93%, se a função sucessória importa no seu caso, e se você está próximo de mudar de faixa na tabela regressiva. Rendimento abaixo do CDI, isoladamente, não é motivo para sair.

Portar

Faz sentido se a taxa está alta mas o prazo acumulado é valioso. A portabilidade troca o plano sem resgatar, sem tributar e sem zerar a contagem. É a saída mais subestimada das três — e tem uma armadilha, detalhada na análise sobre portabilidade.

Resgatar

Faz sentido se nenhuma das três funções se aplica ao seu caso e a taxa está alta. A conta completa está na análise sobre resgate. Mas o custo de saída precisa entrar na conta — em faixa alta da tabela regressiva, esperar costuma render mais que qualquer alternativa.

Os seis dados estão no seu extrato e no regulamento. Com eles em mãos, a decisão leva quinze minutos — e para de depender de opinião de quem vende o produto.

O que fazer nesta semana

Três passos, na ordem. Nenhum deles exige decidir nada ainda.

  • 1 · Abra o extrato e anote a taxa de administração. Se estiver acima de 1,93%, você já sabe que a vantagem tributária está sendo consumida.
  • 2 · Veja a data do primeiro aporte. Ela define em que degrau da tabela regressiva você está — e se esperar alguns meses vale mais que qualquer alternativa.
  • 3 · Confirme o regime tributário. Se você nunca resgatou, a escolha ainda está em aberto pela Lei 14.803/2024, e pode ser feita com a informação de hoje.

Com esses três números, a decisão entre manter, portar e resgatar sai sozinha. E nenhum deles depende de falar com ninguém.

Como esta análise foi verificada

Todos os números publicados aqui foram recalculados a partir das premissas declaradas em cada tabela, e conferidos contra a legislação vigente na data de publicação.

Nenhum valor aparece sem que a premissa de onde ele saiu esteja escrita na própria página. Onde a conta depende de uma estimativa, a estimativa está identificada como tal.

Onde a conta depende de estimativa, a estimativa está identificada como tal no próprio texto.

Fontes e vigência

As alíquotas da tabela regressiva da previdência privada, os limites de dedução do PGBL e a isenção de come-cotas seguem a legislação vigente em 1º de julho de 2026. A alteração no momento da escolha do regime tributário decorre da Lei 14.803/2024.

Regra tributária muda. Antes de qualquer decisão, confirme a vigência na fonte original ou no regulamento do seu plano. Os cálculos apresentados são exercícios com premissas declaradas, não projeção de resultado.

Seu plano passa no teste?a conta leva um minuto
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